Rimada

Pedi pru nosso senhô, qui tirasse a dô do peito i desse um jeito di não mi deixá chorá... Pruquê se ela vortô, é pruque argum amô ela há di mi dá... Ela prometeu qui eu num ia sofrê e pagô pra vê eu di novu mi apaixoná... Ia me dá prazê, fazê e acontecê, mas só si eu mi entregá... Purém, u coração né bobo não i di mim tem pena, num qué sabê di enganação... Si ocê intão é bão i acha qui a dor é piquena, pega pro cê esse rojão... Sei qui ocê tumém já chorô pelo amô dessas côisa boa qui é muié... Eu é qui num vô chorá inté comê cocô e ficá qui nem iguar um zé mané... Intão, vô deixá bem claro qui é pro cê num errá di novu otra vêis... Pruque meu zóio tá aberto i agora eu vô arregalá u du cêis... Bicha di perna torneada, di saia rendada i sorriso di sarda... É danada i quando é contrariada só farta pegá a espingarda... Fais como eu fiz certa veis i mata no ninho a vontadi qui ocê tivé di flertá... Pruque certus dia du mêis, ela põe inté môio di tomati pra num transá... Ela fala pras amiga, qui inté as formiga tem membro maió... E iguar nas antiga, cê vai fazê figa pra num fica pió... Agora vai pru banheiro, usa da covardia pra num tê que si arrastá i u joêio isfolá... Pruque sem dinheiro, nem uma vadia se vai pudê pagá pra si isbaldá... Si ocê acha qui eu sô grosso, vem resolvê nu braço si é qui ocê é homi pra comigo brigá... Vô torcê seu pescoço até  provocá inchaço, e ocê vai sumí sem pra trás oiá... Mas, si acha qui eu tô sêno esperto, vem pru meu lado pra módi nóis si associá... Podes crê qui vai dá tudo certo, pruque esse fardo sozinho eu num quero carregá... U qui eu sei é qui eu tô mi estendêno i só quero um aceno pra podê começá... Nóis vai ficá com a cabeça duênu, mas um plano nóis vai arquitetá... Até qui um dia à noitinha, com uma modinha di viola, nóis vai si declará... Em duas bela mocinha, di vestido di bola, nóis vai podê cunfiá... Assim, vô ficá esperânu ocê si arresorvê i querê mudá essa cara tacho... Vô colocá em debate qui é pra sabê si no mundo ainda tem cabra macho... Quem quisé ficá bem, podi vim cu nóis i botá pra quebrá... Vamu domá esse trem, qui chama muié i só fais nóis chorá...

Poema do dia-a-dia sem você

Por M.

Quase tudo através da janela posso ver

Encantada, a vida passa ao meu redor

Tive sorte e desisti do meu viver

Sem seu amor, angústia, presente maior

 

Por seu belo sorriso o peito implora

E ainda sem seu consentimento

Preencho o seu espaço de outrora

Com antigas orquídeas ao relento

 

Pela rua transformo o riso em espanto

Com amargura, no canto mais que escuro,

Vejo a vida passar, sob meu pranto

 

Valente, antes, saltava grandes muros

Não suporta, à luz da noite, seu encanto

Tentando proteger um coração em apuros.

Dia de quem?

Amor? O que é isso pra mim? Eu já tive diversas experiências com os ditos amores perfeitos. Com gritos de dor sem efeito. Com mitos enjaulados. E, até hoje, tenho recebido sopros, pitadas, leves lampejos dos amores de antes. E mais. E melhor. Recebo, diariamente, demonstrações daqueles amores.

Mas (sempre tem um "mas"), aqueles amores sempre deixaram se levar pelas minhas imperfeições. Eles não suportaram o café na cama. Não aceitaram meu gosto por cabelos ondulados. Não gostaram de minhas preocupações exacerbadas. E, não aguentaram uma hora e meia de sexo suado algumas vezes por semana.

Simplesmente, eu sou assim. E, vou esperar que você olhe pra mim de novo. Como antes, mas sem o antes.

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